Será um capricho passageiro, um desentendimento momentâneo, um encontro breve ou algo mais? Irá durar,...
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Será um capricho passageiro, um desentendimento momentâneo, um encontro breve ou algo mais? Irá durar, será eterno? Importa realmente? É agora, é o que sente.
Mas é porque ele é um homem bonito! Isso basta como argumento, não? Tem um rosto, uma voz que me agrada, classe de sobra, perturbador quando fixa o olhar em si e, além disso, é uma alma bela alimentada pelos limelights dos anos 80, ao estilo de noites selvagens, Tainted Love e os ritmos eternos e sempre modernos de Soft Cell.
E depois, é um homem nas fronteiras e isso convém bem, tão bem à nossa Maison que maneja com ironia a dupla natureza, a linguagem dupla e a confusão de géneros como uma grosseria preciosa para usar sobre a pele; o meu amigo Roland precisava de uma canção de gesta – quero dizer um perfume, é quase o mesmo – para recordar a sua história, a de um mestiço que cresceu sob o sol de Lourdes, entrelaçado com os valores e as tradições da terra nutriz, a Alma Mater onde se acredita em milagres e na salvação da alma, e que faz homens que conhecem melhor do que ninguém o preço de uma libra de carne sangrenta entre Shakespeare e o talho. E tudo isso partiu aos 18 anos, small town boy e Apolo obriga, para Paris e depois Londres, para capitalizar habilmente a sua bela estética e o talento das mãos que montam e pensam as fábricas.
Um sentido inato de diplomacia e de sublimação das silhuetas para que reinem supremos os corpos, pois nele, como em nós, a mulher é o futuro do homem. Há no seu saber-fazer e no seu sentido de emoção um acabamento sublime das técnicas de sedução, uma verdadeira estética do combate, da luta e da paixão, e isso convém bem a um perfume para levar mais longe o mito proustiano da Madalena na boca, uma Amante no coração e no corpo, de quem conhecemos todos os sabores da carne e o eco distante, delicioso, de perda e de renúncia.
E depois, para criar um perfume de sucesso na Etat Libre d'Orange, é necessário um corpo a corpo criterioso entre duas almas belas, e Roland combinava tão bem com Daniela, que combinava tão bem com Roland. Uma alquimia onde se mistura o melhor dos mundos, das matérias e dos talentos entre a França e a Inglaterra, ligados para sempre um ao outro muito para além dos cem anos, numa justa amorosa para se sentir bem vivo e nunca esquecer que uma Amourette nunca é demasiado bonita quando se sabe de antemão quanto tempo dura a vida.
'Alma da minha alma', dizia Aladino à sua princesa Badroulboudour, para que vivesse sempre o deleite do outro e as promessas da aurora após as mil e uma noites.
Amo esta casa, este homem e este perfume de mulher para… um homem. Uma bela canção de Rolando para viver na pele.
- Etat Libre d'Orange
Após conhecer Roland Mouret, comecei a imaginar um perfume muito sofisticado e sombrio, preto e vermelho. O patchouli e o indol são os pilares deste floral amadeirado/animal. As notas de topo abrem-se com brilho no néroli, enquanto a íris, o akigala e o incenso resinoide formam a base desta história.
- Daniela Andrier, perfumista
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